IMG-20191124-WA0057O ato marca a conclusão de uma das obras mais caras da história do Brasil, com valor aproximado de R$ 40 bilhões

Belo Monte chega ao acionamento integral de suas 18 máquinas de sua casa de força principal, além de outras seis turbinas menores, de barragem complementar (Divulgação / Norte Energia)A hidrelétrica de Belo Monte aciona, nesta semana, a sua última turbina para retirar energia das águas do rio Xingu, em Altamira, no Pará.

O ato marca a conclusão de uma das obras mais caras da história do Brasil, com valor aproximado de R$ 40 bilhões, a custos atuais.

Passados nove anos desde o seu leilão – quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez a Eletrobrás montar um consórcio para apresentar uma proposta pelo projeto, sendo a única oferta que houve -, Belo Monte chega ao acionamento integral de suas 18 máquinas de sua casa de força principal, além de outras seis turbinas menores, de barragem complementar.

Leiloadapor Lula, iniciada por Dilma Rousseff e acompanhada por Michel Temer, Belo Monte terá a fita cortada por Jair Bolsonaro.

A usina, com seus 11.233 megawatts (MW) de capacidade instalada, confirmou-se como a maior hidrelétrica 100% brasileira, mas não conseguiu mudar, essencialmente, a realidade do município que a recebeu.

Altamira, que em agosto deste ano foi palco de um massacre que deixou 58 mortos dentro de seu presídio, foi considerada a segunda cidade mais violenta do País em 2017, só atrás de Maracanaú, na região metropolitana de Fortaleza, no Ceará.

Não foi uma catástrofe isolada. Em 2015, Altamira já havia figurado como a primeira no ranking das cidades mais violentas.

A cidade, que viu parte de seu território ser inundado por um lago de 478 quilômetros quadrados, também viu inchar a demanda por seus serviços públicos de saúde, educação e segurança, estrangulados pelo crescimento de uma população que saltou de cerca de 100 mil habitantes em 2010 para aproximadamente 150 mil, atualmente.

A usina, com seus 11.233 megawatts (MW) de capacidade instalada, é a maior hidrelétrica 100% brasileira (Divulgação / Norte Energia)

Não era para ser assim, se considerado o que prometia a concessionária Norte Energia, dona da usina.

Mais do que retirar milhares de famílias que viviam sobre palafitas na orla do rio Xingu, no centro da cidade, a empresa prometia instalar, em 100% das casas, um sistema de saneamento de primeiro mundo.

Repetidas vezes, a diretoria da concessionária garantiu que Altamira teria “um sistema de água e esgoto como o da Suécia, da Inglaterra”.

Nesta semana, quando o presidente Jair Bolsonaro ligar a 18.ª turbina de Belo Monte, ainda haverá famílias em Altamira sem acesso aos serviços básicos de saneamento.

Por mais de dois anos, a Norte Energia resistiu em fazer as ligações domiciliares de água e esgoto, sob o argumento de que a sua responsabilidade era apenas fazer os encanamentos nas ruas.

*Depois de muitas ações do Ministério Público Federal, questionamentos do Ibama e processos com o município, decidiu encarar a obra, que ainda não foi concluída.

Alvode constantes protestos da população local, ribeirinhos, comunidades indígenas e organizações socioambientais, Belo Monte teve as suas obras paralisadas em diversas ocasiões. O prazo original de sua conclusão, conforme firmado em contrato, era fevereiro deste ano.

O projeto está sendo entregue, portanto, com nove meses de atraso. Apesar de sua potência surpreendente de mais de 11 mil MW, a geração média da usina, na realidade, é de 4.571 MW, por causa da oscilação do rio Xingu durante o ano.

Essa variação, inclusive, faz com que quase toda a casa de força principal da hidrelétrica fique vários meses do ano simplesmente desligada, porque há pouca água para passar por suas turbinas.

Não por acaso, a viabilidade da usina foi questionada não apenas por ambientalistas, mas por muitos engenheiros credenciados na construção de barragens.

ADM:Edivaldo🕊

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