IMG-20191207-WA0156Dois índios foram mortos e outros dois ficaram feridos em ataque na BR-226. Ministro Sérgio Moro disse que
estuda a possibilidade de deslocamento da Força Nacional para o local.

O ataque a índios da etnia Guajajara na BR-226, neste sábado (7), pode ter relação com os constantes
assaltos que acontecem no trecho da rodovia federal no município de Jenipapo dos Vieiras.

De acordo com  Guaraci Mendes da Fundação Nacional do Índio em Imperatriz (Funai).

A ação criminosa
terminou com a morte dos caciques Firmino Silvino Guajajara e Raimundo Bernice Guajajara.

Outros dois
índios ficaram feridos, entre eles Nelsi Guajajara.
“Pessoas mal intencionadas se aproveitam da má preservação da BR dentro do território (indígena) para
cometer ilícitos.

Aproveitam também a falta de policiamento. Então isso (assaltos) acaba se associando à
imagem dos indígenas, e por conta disso eles (índios) vinham recebendo ameaças”, disse Guaraci Mendes.
Os indígenas da etnia Guajajara sofreram o atentado entre as aldeias Boa Vista e El Betel, no município de
Jenipapo dos Vieiras, localizado a 506 km de São Luís.

Firmino Silvino Guajajara morreu no local, enquanto
Raimundo Bernice Guajajara morreu ao chegar à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Jenipapo dos
Vieiras. Raimundo deixou oito filhos.

Índios protestam

Em protesto, os índios Guajajaras fizeram um bloqueio na BR-226 em Jenipapo dos Vieiras. De acordo com passageiros de um ônibus que trafegava pela região, os índios teriam jogado pedras nas janelas dos ônibus.

Com medo de novos ataques, muitos motoristas estão parando no BR-226 e traçando novas rotas para conseguir chegar aos seus destinos.

De acordo com a Polícia Militar, a situação no local ficou tensa e policiais foram para região para tentar conter a manifestação.

Lideranças reagem

Por meio de nota, a líder indígena Sônia Guajajara se manifestou sobre o atentado e se solidarizou com os familiares das vítimas.

“É com profundo pesar e indignação que externo meus mais sinceros e profundos sentimentos aos familiares de Firmino Silvino Prexede Guajajara e Raimundo Guajajara que, neste momento, sentem a dor e a tristeza de perderem pessoas queridas por tamanha brutalidade que hoje fez novas vítimas dentre o Povo Guajajara” (leia abaixo a nota completa).

Sônia Guajajara se manifesta sobre mortes de indígenas no Maranhão

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), se manifestou por meio de uma rede social e disse que as forças estaduais vão auxiliar as autoridades federais no caso.

“Minha solidariedade às vítimas de violência contra povos indígenas. As equipes estaduais de segurança estão colaborando com as autoridades federais competentes para questões indígenas. Policiais civis já em atuação”, escreveu o governador.

Crimes contra índios

Há um mês, o líder indígena Paulo Paulino Guajajara foi morto durante uma emboscada na Terra Indígena Araribóia, na região de Bom Jesus das Selvas no Maranhão. O conflito também causou a morte do madeireiro Márcio Greykue Moreira Pereira e deixou ferido o primo de Paulo Guajajara, Laércio Guajajara.

Paulo Paulino Guajajara era membro dos ‘Guardiões da Floresta’, um grupo de índios que vigia, protege e denuncia madeireiros com o intuito de proteger a natureza. Os conflitos entre madeireiros e indígenas já haviam sido denunciados às autoridades, e as ameaças aumentaram após a apreensão de veículos utilizados na extração ilegal de madeiras em terras indígenas no Maranhão.

O índio Paulo Paulino Guajajara estava incluído no Programa Estadual de Proteção aos Defensores de Direitos (PPDDH). Após o crime, outros três guardiões também estavam incluídos no programa, foram retirados das aldeias e levados para lugares sigilosos. O retorno deles para as aldeias depende do fim das ameças.

De acordo com a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), de 2016 a 2019, 13 indígenas foram mortos em decorrência do conflito com madeireiros no Maranhão. O assessor jurídico e membro da SMDH, Antônio Pedrosa, afirmou que nenhuma das pessoas envolvidas nos casos foi identificado ou levado a julgamento.

NOTA DE SÔNIA GUAJAJARA

“É com profundo pesar e indignação que externo meus mais sinceros e profundos sentimentos aos familiares de Firmino Silvino Prexede Guajajara e Raimundo Guajajara que, neste momento, sentem a dor e a tristeza de perderem pessoas queridas por tamanha brutalidade que hoje fez novas vítimas dentre o Povo Guajajara. Os indígenas assassinados vivam nas aldeias Silvino (Terra Indígena Cana Brava) e aldeia Descendência Severino (TI Lagoa Comprida), ambos do Maranhão, estado que há 35 dias sofreu também o assassinato de Paulo Paulino Guajajara, que atuava como Guardião da Floresta.

Sinto um misto de dor e revolta por mais esse crime que se debruça sobre o meu povo Guajajara. Crime este que reflete a escalada de ódio e barbárie incitados pelo espectro político nefasto do governo racista e perverso de Jair Bolsonaro, que segue nos atacando diariamente, negando o nosso direito de existir e incitando a doença histórica do racismo do qual o povo brasileiro ainda padece.

Estamos à deriva, sem a proteção do Estado brasileiro, cujo papel constitucional está sendo negligenciado pelas atuais autoridades. O governo federal é um governo fora da lei, criminoso em sua prática política e opera de maneira genocida com vistas a nos expulsar de nossos territórios, massacrando nossa cultura, fazendo sangrar nossas raízes.

O clima de tensão, insegurança e perseguição contra os povos indígenas do Brasil só aumenta. Estamos sendo atacados, dizimados, e vale sempre lembrar que um ataque a vida indígena é um ataque ataque contra a humanidade uma vez que somos, povos indígenas de todo mundo, os defensores de 82% de toda biodiversidade global.

Chega de derramamento de sangue indígena! Chega de impunidade! Exigimos que providências sejam tomadas imediatamente e faça valer a Justiça! Exigimos que as autoridades competentes esclareçam os fatos, punindo rigorosamente esses criminosos, para que a sensação de impunidade não motive mais ações criminosas contra nossa gente, ceifando brutalmente vidas indígenas.

Sangue indígena: Nenhuma gota mais!”

Sônia Guajajara, coordenação executiva da Apib – Articulacão dos Povos Indigenas do Brasil.

Com informações blog do Antenor e G1

 

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