A pequena Isabella, filha do artista Pablo Lasalle, de um ano e meio está em Wuhan, epicentro da pandemia de coronavírus junto com a mãe Zhang Li.

Ela e a filha não têm a opção de sair da China.

Dia após dia, as preocupações do ilustrador argentino Pablo Lassalle, de 44 anos, que mora em Palhoça, Santa Catarina, só aumentam.

Sua mulher, a dona de casa chinesa Zhang Hui, está isolada em um apartamento no 18º de um prédio em Wuhan, junto com sua filha de um ano e meio, a brasileira Isabela.

Na quinta-feira 30, os temores de que sua família seja contagiada pelo coronavírus saltaram de patamar.

Lasalle conta que foi decretado nível 2 de segurança sanitária na região e as pessoas perderam alguns pequenos privilégios de mobilidade.

“De repente, tudo desmorona. Desmoronou meu mundo”, diz.

“Minha vida foi transtornada”.

A apreensão e o medo são permanentes. Antes, as autoridades municipais permitiam a Zhang Hui, por exemplo, que fosse fazer pequenas visitas à sua tia, que mora logo em frente.

Agora, ela está confinada e só pode sair de casa uma vez por dia, em duas hipóteses: em uma única oportunidade para fazer compras de alimentos, ou se precisar ir para o hospital.

Os serviços de transporte estão paralisados, os restaurantes, fechados, assim como a maior parte das lojas de Wuhan.

Pela cidade só circulam agentes de saúde e segurança pública e um ou outro transeunte.

“Falo com elas duas vezes por dia, antes de ir dormir, quando ela está acordando, e de manhã cedo, antes delas irem deitar”, conta Lassalle, que morou sete anos em Wuhan.

“A situação é muito tensa e não sei mais o que fazer. Estou tentando me informar sobre o vírus e manter o controle”.

Lassalle esteve na Defensoria Pública da União, onde lhe foi indicado que faça uma petição ao Itamaraty para tirar Isabela de Wuhan, alegando que a criança está situação de alto risco.

A posição diplomática da família é muito complexa. Como chinesa, Zhang Hui está sujeita às leis de seu país, assim como a filha. Mas Isabela nasceu no Brasil.

“Seja como for, o governo brasileiro deveria disponibilizar um voo para resgatá-la”, afirma o pai.

Mãe e filha foram para a China em outubro, a fim de passar três meses de férias com os parentes.

Voltariam no último dia 25, sábado, e Lassalle iria ao aeroporto de Guarulhos buscá-las. Num certo momento soube que não chegariam e que os aeroportos chineses tinham sido fechados.

“Era de madrugada e aí começou o drama”, lamenta.

Ele lembra que o casal tinha planos de descansar em família durante 10 dias, primeiro em São Paulo e depois em Curitiba (PR), e na praia de Bombinhas (SC).

“Minha filha de um ano e meio no inferno e eu esperando o governo fazer algo”, diz.

Para desalento de Lassalle, o governo brasileiro, pelas declarações do presidente Jair Bolsonaro, não tem intenção de tirar qualquer cidadão da China neste momento.

Ele teme trazer a pandemia para o Brasil e considera que a repatriação “custa caro”.

“Na linha, se for fretar um voo, é acima de US$ 500 mil o custo. Pode ser pequeno para o tamanho do orçamento brasileiro, mas precisa de aprovação do Congresso”, afirma Bolsonaro.

Não há voos regulares para a China e Bolsonaro falou na destinação militar para transportar as pessoas. Em Wuhan, há cerca de 40 brasileiros e pelo menos 30 querem deixar o país.

“Todos os outros países, como Estados Unidos, França ou Alemanha, estão criando condições para seus cidadãos deixarem a China, menos o Brasil”, lamenta Lassalle.

Ele se diz decepcionado com o governo e acha que a opção de retornar deveria estar sendo concedida para Zhang Hui e Isabela.

“E a situação terrível, que me deixa indignado. Queria minha mulher e minha filha de volta”.

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